A inteligência artificial generativa está ganhando espaço também na indústria do entretenimento. Durante a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, a Netflix informou que aproximadamente 300 títulos lançados neste ano utilizaram fluxos de IA generativa em alguma etapa da produção.
A informação reforça uma tendência que vem transformando Hollywood e o mercado audiovisual: a adoção de ferramentas capazes de acelerar etapas de criação, efeitos visuais, planejamento de cenas, pós-produção e desenvolvimento de conteúdo.
Segundo a empresa, o objetivo é ampliar a produtividade e permitir que equipes criativas realizem sequências complexas com mais rapidez e eficiência, mantendo profissionais humanos no centro das decisões artísticas.
IA já faz parte da rotina das produções
Embora a Netflix não tenha divulgado uma lista completa dos títulos, a companhia explicou que a maior concentração de uso está na pós-produção, com aplicações também em etapas como concepção e pré-visualização.
Entre os principais usos estão a criação de efeitos visuais, o desenvolvimento de cenários digitais, o apoio à pré-produção, a edição, o planejamento de cenas e a geração de conceitos visuais.
A intensidade da utilização varia de projeto para projeto. Em alguns casos, a tecnologia participa de uma etapa pontual; em outros, integra processos mais amplos do fluxo de produção.
Produções ficam mais rápidas e eficientes
Nos últimos anos, diferentes ferramentas de inteligência artificial passaram a integrar o trabalho de estúdios, produtoras e equipes de efeitos visuais.
Esses recursos conseguem gerar imagens de referência, criar storyboards, ampliar cenários, apoiar composições, remover elementos indesejados e produzir sequências que antes exigiriam semanas de trabalho manual.
A Netflix afirma que essas tecnologias podem entregar resultados de maior qualidade em menos tempo e a um custo inferior ao de métodos tradicionais. Em determinados casos, a IA teria permitido incluir cenas que seriam inviáveis dentro do orçamento ou do cronograma disponível.
Tecnologia não substitui criatividade humana
Apesar do avanço da IA, diretores, roteiristas, artistas, animadores, editores e equipes criativas continuam responsáveis pelas decisões dos projetos.
A inteligência artificial atua como ferramenta de apoio, acelerando tarefas técnicas e repetitivas, enquanto a narrativa, a direção, a interpretação e as escolhas artísticas permanecem sob responsabilidade humana.
Esse posicionamento acompanha o debate iniciado em Hollywood nos últimos anos, quando sindicatos de atores e roteiristas passaram a discutir regras, transparência e limites para o uso da inteligência artificial na indústria audiovisual.
Mercado audiovisual acelera adoção da IA
A Netflix não é a única companhia investindo nessa transformação. Estúdios, produtoras e plataformas de streaming vêm incorporando inteligência artificial em diferentes pontos da cadeia de produção.
Ferramentas generativas já conseguem criar imagens fotorrealistas, animações, vozes sintéticas, trilhas, personagens digitais e efeitos especiais com qualidade crescente.
Ao mesmo tempo, aumentam as discussões sobre direitos autorais, remuneração, uso de imagem e voz, transparência e preservação do trabalho criativo.
Exemplos citados pela Netflix
Entre os projetos mencionados pela empresa estão a série indiana Glory, a produção brasileira Brasil 70: A Saga do Tri e a docusérie The American Experiment.
Nesses casos, a IA foi utilizada em sequências complexas, como multidões ampliadas, batalhas históricas e planos de ambientação. A Netflix afirmou que The American Experiment inclui cerca de 17 minutos de imagens aprimoradas por IA, produzidas em aproximadamente metade do tempo e do custo de alternativas anteriores.
Os exemplos ajudam a mostrar que o uso da tecnologia já deixou de ser apenas experimental e começa a integrar produções de diferentes gêneros e países.
Inteligência artificial deve ganhar ainda mais espaço
Especialistas avaliam que o uso da IA na produção audiovisual tende a crescer nos próximos anos. A expectativa é que a tecnologia seja usada para automatizar tarefas técnicas, reduzir gargalos e permitir que equipes concentrem esforços em decisões criativas e estratégicas.
Com aproximadamente 300 títulos utilizando fluxos de inteligência artificial em 2026, a Netflix sinaliza que a tecnologia já passou a integrar o processo de criação de uma das maiores plataformas de streaming do mundo.
O avanço também aumenta a responsabilidade das empresas em estabelecer critérios de transparência, supervisão humana e proteção dos profissionais envolvidos.
