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Tecnologia, gestão e negócios

IA integrada transforma processos e inaugura nova tendência de gestão nas empresas brasileiras

Modelo conhecido como “IA 360” propõe conectar inteligência artificial às áreas comercial, financeira, operacional e administrativa, substituindo automações isoladas por ecossistemas integrados.

Gestor acompanha em uma plataforma integrada dados de vendas, cobrança, finanças e operações processados por inteligência artificial.
Soluções integradas de inteligência artificial começam a conectar áreas como vendas, cobrança, finanças e gestão dentro das empresas.

A inteligência artificial está deixando de ocupar apenas funções pontuais dentro das empresas para assumir um papel mais amplo na gestão dos negócios. Em vez de ser utilizada somente em chatbots, produção de conteúdo ou tarefas específicas, a tecnologia começa a ser incorporada a processos completos, conectando diferentes departamentos e sistemas corporativos.

Essa abordagem vem sendo chamada de “IA 360”. O conceito defende que cada área da empresa receba uma camada de inteligência artificial capaz de automatizar tarefas, analisar dados, acompanhar resultados e executar ações de forma integrada.

Segundo Gabriel Borges Aguiar, CEO da TECTO Tecnologia, a proposta é fazer com que a IA esteja presente em diferentes etapas da operação, como vendas, cobrança, suporte, elaboração de propostas e monitoramento do desempenho das equipes.

De ferramentas isoladas a uma operação conectada

Grande parte das empresas ainda utiliza inteligência artificial de maneira fragmentada. É comum, por exemplo, implementar um chatbot no atendimento sem conectar essa ferramenta ao sistema de vendas, ao financeiro ou à gestão de clientes.

No modelo integrado, a IA passa a se comunicar diretamente com plataformas como sistemas de gestão empresarial, CRMs, ferramentas financeiras e meios de pagamento. Essa conexão pode ser realizada por APIs, permitindo que a tecnologia consulte dados, atualize registros, altere o andamento de processos e execute tarefas nos sistemas utilizados pela organização.

Na prática, isso significa que a inteligência artificial pode acompanhar um processo desde o início até a conclusão, assumindo etapas repetitivas e encaminhando para profissionais humanos apenas as situações que exigem análise, negociação ou decisões estratégicas.

Tecnologia mais acessível para pequenas e médias empresas

A redução dos custos e a expansão das plataformas prontas para integração estão tornando a adoção da inteligência artificial mais acessível para empresas de diferentes tamanhos.

Atividades que antes dependiam de grandes investimentos, equipes especializadas e projetos demorados já podem ser automatizadas por negócios de pequeno e médio porte. Entre as aplicações estão atendimento ao cliente, vendas, elaboração de documentos, cobrança e análise de desempenho.

De acordo com a TECTO, a inteligência artificial já pode gerar resultados operacionais concretos, como redução de custos, aumento da capacidade de atendimento e maior controle sobre os processos internos. Essas afirmações refletem a avaliação e os casos comerciais apresentados pela própria empresa.

IA pode ampliar a produtividade das equipes comerciais

Uma das áreas com maior potencial de transformação é a comercial. Agentes de inteligência artificial podem atuar na prospecção, qualificação de contatos, apresentação de produtos, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento do pós-venda.

Esses sistemas também podem analisar as conversas realizadas pelos vendedores, gerar indicadores de desempenho e apontar oportunidades de melhoria. Dessa forma, o gestor passa a acompanhar com mais profundidade a atuação da equipe, enquanto cada profissional recebe retornos específicos sobre seus atendimentos.

A proposta não é apenas aumentar o volume de contatos, mas também manter um padrão de qualidade e transformar os dados gerados nas interações em aprendizado contínuo.

Cobrança automatizada ganha inteligência e personalização

A inteligência artificial também começa a ser aplicada na recuperação de pagamentos em atraso. Plataformas automatizadas conseguem organizar cadências de mensagens, acompanhar o andamento das negociações e entrar em contato com os clientes nos momentos considerados mais adequados.

Conforme as regras definidas pela empresa, esses sistemas podem oferecer descontos, negociar parcelamentos, enviar links de pagamento e atualizar informações financeiras.

A TECTO afirma que sua plataforma de cobrança utiliza mais de 30 agentes de IA para executar diferentes etapas do processo. As condições, os limites de negociação e o tipo de comunicação são configurados de acordo com as políticas de cada negócio.

Propostas e relatórios produzidos em menos tempo

Outro exemplo é a criação automatizada de propostas comerciais. Em vez de preencher manualmente documentos extensos, o vendedor pode utilizar dados já armazenados nos sistemas da empresa para gerar uma proposta dentro de um padrão previamente definido.

Além de reduzir o tempo dedicado às tarefas administrativas, a automação pode diminuir erros de digitação, informações ausentes e diferenças entre documentos enviados por integrantes da mesma equipe.

Na gestão, módulos de IA podem cruzar informações de diferentes departamentos e produzir relatórios sob demanda. O objetivo é permitir que os gestores acessem indicadores operacionais e financeiros de maneira mais rápida, utilizando comandos em linguagem natural.

Empresa do setor elétrico adotou sistema integrado

A Corrêa Materiais Elétricos é apresentada pela TECTO como um dos casos de adoção desse modelo. Segundo o conteúdo divulgado, a empresa integrou soluções de inteligência artificial às áreas comercial, financeira, operacional e de gestão.

A tecnologia passou a automatizar tarefas repetitivas, monitorar processos considerados críticos e fornecer informações em tempo real para as lideranças. A TECTO atribui à implementação resultados como redução de custos operacionais, aumento da conversão comercial e maior visibilidade sobre o negócio.

Como esses resultados foram apresentados pelas empresas envolvidas, eles devem ser compreendidos como informações institucionais, e não como dados avaliados de forma independente.

Papel humano permanece nas decisões mais complexas

A ampliação do uso da IA não elimina a necessidade de profissionais. A tendência é que a tecnologia assuma atividades de alto volume, repetitivas e baseadas em regras, enquanto as pessoas se concentram em relacionamento, criatividade, gestão de crises e decisões fora do padrão.

A TECTO defende um modelo no qual aproximadamente 90% de determinados processos operacionais possam ser executados pela inteligência artificial, deixando os 10% mais complexos sob responsabilidade humana. A proporção, porém, pode variar conforme o setor, o nível de risco e as regras de cada organização.

Processos financeiros, jurídicos, de crédito e de atendimento ao consumidor também exigem supervisão, mecanismos de segurança e conformidade com a legislação.

A adoção deve começar por problemas concretos

Para empresas que ainda não utilizam a tecnologia de forma estruturada, a recomendação é começar por um processo específico que apresente alto volume, repetição ou perda frequente de tempo e dinheiro.

Após implementar a solução, o negócio deve acompanhar os resultados, corrigir falhas e somente depois expandir a inteligência artificial para outras áreas.

A mudança representa uma nova etapa da transformação digital. Mais do que adquirir ferramentas, as empresas precisarão revisar processos, organizar dados e definir claramente quais decisões poderão ser automatizadas e quais continuarão dependendo da avaliação humana.